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10 de abr de 2011

DEUS AMA OS HOMOSSEXUAIS E ABOMINA A HOMOSSEXUALIDADE

UMA QUESTÃO DE AMOR E INFORMAÇÃO.
...É claro que amor significa muito mais do que mero sentimento, muito mais do que favores isolados e esmolas superficiais. Amor significa uma identificação interior e espiritual com o próximo, de tal maneira que a pessoa não mais o vê como ‘objecto’ ao ‘qual’ se ‘faz o bem’. O facto é que um bem feito a outro como objecto tem pouco ou nenhum valor espiritual. O amor assume o próximo como outro eu, e o ama com toda a imensa humildade, discrição, reserva e reverência sem as quais ninguém pode pretender entrar no santuário da subjectividade do outro. Devem estar necessariamente ausentes desse amor toda brutalidade autoritária, toda exploração, dominação e condes-cendência. Os santos do deserto eram inimigos de qualquer expediente, sutil ou grosseiro, ao qual ‘o homem espiritual’ recorre para intimidar os que acha inferiores a si mesmo, gratificando assim seu próprio ego. Eles renunciaram a tudo o que cheirasse a punição e vingança, por mais oculto que pudesse estar.”

Thomas Mertom


Desenvolvimento da identidade homossexual

Cerca de 10% da população é constituída por indivíduos homossexuais (Costa, 1994). Os estudos de Kinsey revelaram que 37% dos homens já experimentaram orgasmo com outros homens.

Durante a adolescência passamos a ter um objeto sexual, que mais comumente é alguém do sexo oposto. Porém, podem acontecer manifestações sexuais entre pessoas do mesmo sexo que estão se descobrindo, experimentando o que é ser homem ou ser mulher. São as meninas que convivem com suas amigas intimamente,  trocando confidências, carinhos e os meninos que buscam parceiros para brincadeiras e vivências. É uma fase de experimentação sexual que contribui na construção da identidade sexual futura.

Os relacionamentos homossexuais entre adolescentes já foram mais freqüentes do que são nos dias de hoje. Na Idade Média era comum a relação sexual entre um adolescente e um homem mais velho, a título de ensino da sexualidade e experimentação. Antes do advento da pílula anticoncepcional e da “revolução sexual”, época de mudança dos costumes na qual a mulher passou a ter mais liberdade sexual, era comum o chamado “troca-troca” entre os adolescentes do sexo masculino. Na geração atual isso já não acontece, pois os adolescentes estão podendo ter relação sexual com suas namoradas e amigas, nesta fase de experimentação sexual.

Aqueles que sentem atração por alguém do mesmo sexo inicialmente sentem-se diferentes, sem saber o porquê. A consciência do desejo sexual acontece progressivamente. Em alguns casos ela se dá desde a infância. Geralmente os homossexuais descobrem sua inclinação sexual no início da adolescência, têm fantasias homoeróticas, passam a ter experiências sexuais e assumem a sua homossexualidade no início da vida adulta. O intervalo de tempo entre descobrir-se homossexual e revelar-se pode ser longo.  A maioria dos adolescentes tende a se manifestar quando já se considera independente e sente-se mais seguro em relação à sua orientação sexual. Alguns não se revelam nunca.

É difícil para um adolescente assumir sua homossexualidade devido à rejeição e à discriminação existentes na sociedade. Por isso, muitos homossexuais não se expõem e se isolam, pois não têm coragem de contar nem de compartilhar com alguém este sofrimento, tentando se defender da homofobia presente na sociedade. A homofobia, definida por atitudes irracionais contra homossexuais, é responsável por altos índices de violência contra estes (Mott, 1996).

 

Comportamento sexual

O comportamento dos adolescentes homossexuais é tão variado quanto dos heterossexuais. A inversão sexual pode irromper na infância, adolescência ou na idade adulta, durar toda a vida, desaparecer temporariamente, aparecer após um longo tempo de atividade sexual heterossexual, etc.
Homens e mulheres homossexuais são tão diferentes entre si como todos os demais seres humanos.

A definição de masculino e feminino, do ponto de vista psíquico e sociológico, é extremamente complexa. Todo ser humano apresenta uma mistura de caracteres biológicos, psíquicos, masculinos e femininos. Apenas uma minoria de homens e mulheres homossexuais tem trejeitos caricatos do sexo oposto ao seu. A maioria dos gays e lésbicas não se manifesta de modo estereotipado, o que lhes permite manter sua orientação sexual velada. Alguns heterossexuais relatam que tiveram atração sexual por pessoas do mesmo sexo em alguma época da vida, mas não se tornaram homossexuais. Outras pessoas têm relacionamentos homossexuais ocasionais (Heilborn, 1996).

Podemos encontrar adolescentes homossexuais que nunca tiveram experiência sexual. Outros já tiveram experiência apenas heterossexual ou homossexual. Existem aqueles que experimentaram relacionamentos tanto homo como heterossexuais.

Riscos e transtornos médicos e psicossociais

Em função da inquietação e discriminação existentes na sociedade em torno da prática homossexual, vide a homofobia, o adolescente, temendo ser rejeitado, muitas vezes esconde sua condição e se isola, colocando sua saúde em risco.

Depressão e comportamento suicida são mais freqüentes entre homossexuais do que entre os heterossexuais (Neinstein, 1996). Outros transtornos comuns são: isolamento social e emocional, evasão escolar, uso de álcool e drogas, transtornos alimentares, conflitos familiares, fuga de casa, prostituição, delinqüência e violência.

A relação homossexual masculina genital anal é  traumática e isso aumenta a probabilidade de doenças sexualmente transmissíveis. O índice de DST/AIDS é maior entre gays do que na população geral e, entre as lésbicas, é menor. A homossexualidade feminina é menos diagnosticada em atendimento médico e menos visível socialmente. As relações sexuais entre mulheres em geral não são traumáticas e não aumentam o risco de doenças sexualmente transmissíveis. Neste caso, mais freqüentemente ocorrem transtornos psicossociais como isolamento, depressão, tentativas de suicídio, rejeição da família, dificuldades escolares, etc.

Outro fato digno de nota é a exploração sexual de adolescentes de baixa renda pela sociedade. Adolescentes do sexo masculino têm sido alvo de homossexuais mais velhos, que lhes oferecem presentes e dinheiro. Por vezes, estes adolescentes se prostituem com homossexuais como tentativa de reafirmar sua masculinidade, pois se sentem tão potentes que até com homens  conseguem manter relações sexuais.

 

Atenção à saúde

Um adolescente raramente busca atendimento médico em razão de sua homossexualidade. Às vezes a família a descobre e o traz à consulta, à sua revelia e querem ajuda médica para tentar mudar a orientação sexual.

Os profissionais de saúde devem estar atentos, ao atender adolescentes, às dificuldades mais comuns que estes podem apresentar na área da sexualidade, já que a adolescência é a etapa da vida em que as manifestações sexuais se intensificam e a identidade sexual se reafirma. Às vezes, numa primeira consulta, os adolescentes não conseguem se abrir e fazer confidências, mas é importante que eles percebam que há espaço para tal.

Os problemas médicos principais do adolescente homossexual masculino são as doenças sexualmente transmissíveis, os traumas do coito e os problemas psicossociais relacionados aos desajustes da identidade homossexual como a depressão,  isolamento social, baixa auto-estima, abuso de drogas. Recomenda-se um exame físico cuidadoso da região genital, anal, pele, gânglios, garganta. O estado de imunização também deve ser averiguado.

O adolescente e sua família precisam ser acolhidos em suas dúvidas. A empatia e a busca da maior neutralidade possível em seu atendimento viabilizam que ele fale sobre suas questões sexuais. Espera-se com esta abordagem auxiliá-lo a ser sujeito de seus próprios desejos, ao invés de mero objeto, joguete dos desejos e roteiros sexuais alheios e que se proteja dos riscos inerentes à sua prática sexual (Paiva, 1996). Informações sobre a homossexualidade e o caráter não patológico da mesma podem ser benéficas. Aos adolescentes homossexuais que se rebelam contra a sua orientação sexual, pode-se indicar um tratamento psíquico.

A experiência da Clínica da Sexualidade–CLINISSEX, do Núcleo de Estudos da Saúde do Adolescente da Universidade Estadual do Rio de Janeiro – NESA-UERJ - mostra-nos que os adolescentes de maior risco são os do sexo masculino com experiências homossexuais (Taquette, 2002). Eles geralmente procuram atendimento devido a doenças sexualmente transmissíveis e nem sempre revelam, na primeira consulta, sua prática homossexual. Alguns apresentam sinais e sintomas característicos de relações sexuais anais e mesmo assim as negam. Alguns têm dúvida quanto à orientação sexual, sentem-se atraídos tanto por homens como por mulheres. Outros expõem toda a dor de serem humilhados e rejeitados pela família e amigos.

Em resumo, vale a pena lembrar que a homossexualidade, tanto do ponto de vista médico como psicológico, não constitui uma doença, distúrbio ou perversão. Ela já foi considerada uma doença antes do último código internacional de doenças (CID-10), quando daí foi retirada. O Conselho Federal de Psicologia publicou resolução em 22 de março de 1999, que estabelece normas de atuação para os psicólogos em relação à questão da orientação sexual. Esta resolução considera que a homossexualidade não constitui uma doença, distúrbio nem perversão e resolve que os psicólogos devem contribuir, com seu conhecimento, para uma reflexão sobre o preconceito e o desaparecimento de discriminações e estigmatizações contra aqueles que apresentam comportamentos ou práticas homoeróticas. Quanto à psicanálise, como já pudemos constatar, o prazer não se inscreve apenas numa referência biológica, sujeitando-se inteiramente às complicações do psiquismo. A ética psicanalítica se constrói num espaço singular de escuta que deve permitir, a todo sujeito, aproximar-se o máximo possível de seu desejo, seja ele qual for, inclusive um desejo homossexual.

Referências bibliográficas
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HEILBORN ML.  Ser ou estar homossexual: dilemas de construção de identidade social. In: Sexualidades brasileiras. Rio de Janeiro. Relume Dumará. 1996. p. 136-45.
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