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27 de abr de 2011

O coração é um sonhador


Quando buscamos no passado as razões para a felicidade do presente, enganamos a nós mesmos.
Aquilo que ficou ao longo do nosso caminho, ou não era nosso, ou não soubemos carregar. 
O fato é que ficaram para trás e a vida não nos permite a volta no tempo.
O hoje é o agora, as nuvens que encobriram o sol, a solidão buscada ou indesejada e a esperança de que amanhã seja tudo diferente.
O hoje é aquilo que não sabemos aproveitar porque gastamos nossas energias a pensar no que perdemos ou não temos.
Nada podemos construir se estamos ocupados com outras coisas.
O coração é um sonhador. 
É preciso ter cuidado com ele. 
Se ele torna a vida mais doce e suave, pode conduzir também a perdições.
O coração não tem raízes e de raízes precisamos.
Devemos ser como as árvores, fincadas no chão, com os braços e a cabeça abandonados ao vento.
Da realidade tiramos nosso alimento, nossas lições, nosso sal tão necessário ao equilíbrio da vida; dos nossos sonhos, tiramos nossos momentos de evasão, aquilo que nos permite, no fim de tudo, viver e sobreviver.
É quando as árvores perdem suas folhas e parecem feias e abandonadas, que se preparam para algo novo.
Sonhos chegam e sonhos se vão, mas as raízes continuam fincadas no chão.
Quando olhamos para o passado, as coisas parecem bem mais perfeitas do que eram realmente, porque o sabor doce é o que gostamos de prolongar.
Só que passado não volta, mesmo se vive escondido no coração.
O hoje é o hoje, com todas as dores e todos os amores acumulados.
O hoje são os filhos, o trabalho, a idade que não perdoa, o tempo que não conseguimos segurar.
O coração sonha e é bom que seja assim. 
Precisamos disso. 
Precisamos desse momento de repouso, dessa pausa que nos dá coragem para dar um passo a mais. 
Mas ele não pode nos perder, não pode jogar fora o que foi construído e o que nos pertence.
Se devemos caminhar, tem que ser daqui para a frente; se devemos reconstruir, tem que ser daqui para a frente; se devemos recomeçar, tem que ser com aquilo que possuímos e não com sonhos que não se realizaram no passado e parecem estar à nossa espera.
Temos que viver o hoje e assumir a vida de forma inteira e incondicional. 
Só quando vivemos dentro da realidade é que conseguimos seguir em frente de maneira equilibrada.
A vida é dom de todos nós. 
Se é mais curta, melhor ou mais interessante para uns que para outros, isso não é importante.
Pegamos o que nos é dado e por isso devemos ser agradecidos.
Antes de dar a chance ao coração de falar um pouco mais alto, coloque-o em ordem.
Não o compare, nem compare-se com ninguém, pois cada qual é dono do seu próprio caminho.
Siga, sem olhar para trás e nem para os lados.
Seja, com o que possui, simplesmente, feliz!

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