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8 de jun de 2013

Dilemas em bioética

Dilemas em bioética
Desenvolvimentos em bioética ilustram a espécie de perguntas que cristãos precisam adereçar.
Aborto. Tendo lido inúmeras monografias de estudantes sobre o assunto, às vezes penso que todas as facetas têm sido enfocadas. Mas a questão não dá sinal de que vá desaparecer. Com efeito, o conflito sobre aborto parece se tornar cada vez pior. E novos desenvolvimentos biomédicos prometem intensificar as questões morais.
Por exemplo, RU486, a droga abortante aperfeiçoada na França, com o correr do tempo provavelmente se tornará acessível em todo o mundo. Seu uso tornará o aborto mais barato, mais seguro e mais privado, aumentando assim a necessidade de indivíduos moralmente responsáveis a fim de pensarem claramente sobre as opções. Cristãos, especialmente os que se envolvem com problemas de saúde, não podem evitar de encarar as questões morais da vida humana pré-natal. Aqueles cristãos que crêem, como eu, que Deus quer que protejamos a vida pré-natal e que o aborto, mesmo quando necessário, é uma questão moral séria, precisam perguntar o que significa tornar nossa fé prática. Que podem os cristãos fazer para reduzir a tragédia do aborto?
Eutanásia. No passado, a maior parte dos países tinham leis proibindo a eutanásia. A eutanásia era associada com a corrupção da medicina na Alemanha nazista. Mais recentemente, porém, novas técnicas médicas para prolongar a vida humana têm feito com que muitas pessoas perguntem sobre a qualidade da vida prolongada. Estamos realmente salvando vidas ou simplesmente prolongando o processo de morrer?
A questão se levanta com freqüência crescente naqueles países bastante ricos para se dar o luxo de tecnologias excessivas. Começando na Holanda e vinda para os Estados Unidos e outros países, estamos vendo a disposição do público de "ajudar" aqueles que estão morrendo a encurtar suas vidas deliberadamente. É negar cuidado médico, que parece apenas aumentar o sofrimento do moribundo, o mesmo moralmente que pôr termo ativamente à vida do paciente? Importa se as medidas são tomadas por profissionais (isto é, eutanásia) ou pelos pacientes mesmos (isto é, suicídio com assistência)? Terá o cristianismo, que tradicionalmente se opôs ao suicídio, respostas para os dilemas atuais introduzidos pela capacidade da tecnologia controlar o termo da vida?
Reprodução. Entre as questões mais recentes de bioética, nenhuma é mais intrigante do que as que se relacionam com reprodução humana com assistência. Além da inseminação artificial, mães substitutas e fertilização in vitro, podemos agora clonar embriões humanos por divisão celular. Pode-se até colher e armazenar oócitos (isto é, óvulos em desenvolvimento) retirados de ovários de fetos abortados.
Novas possibilidades para a vida humana parecem ser limitadas apenas pela imaginação dos novos tecnocratas. Tudo isso suscita questões profundas sobre paternidade, família e o cuidado dos "próprios" filhos. Além disto, a comercialização desses novos processos tem aumentado a complexidade moral. Em face destes dilemas, qual é o ponto de vista cristão da procriação e família? Que princípios cristãos deviam guiar nas decisões sobre oferecer ou aceitar novas técnicas para assistir na reprodução humana?2
Genética humana. Novos avanços em genética parecem prover maiores possibilidades para definir o que seja ser humano. O mapeamento do genoma humano progride mais rapidamente do que se previa há poucos anos. Logo poderemos identificar milhares de características que se desenvolverão numa pessoa estudando no estado pré-natal o código genético do indivíduo. Esse novo conhecimento encerra promessas fantásticas para o cuidado da saúde.
A habilidade de predizer doenças genéticas e preveni-las é excitante a qualquer que se preocupa em diminuir o sofrimento humano. É fácil imaginar como esta informação pode levar a abusos tais como aborto seletivo por razões triviais e discriminação contra os portadores de certos defeitos genéticos. De que modo os cristãos decidirão como fazer o melhor uso das oportunidades providas pela nova informação em genética, ao mesmo tempo rejeitando os abusos potenciais?
Além de compreender o genoma humano, temos agora o poder de mudá-lo. Durante os últimos 20 anos, biologistas têm descoberto como manipular os genes de muitas diferentes formas de vida, incluindo humanas. Material genético pode ser transferido de uma vida para outra, mesmo através de barreiras entre espécies. Ademais, o potencial para ajudar aqueles que têm doenças graves é espantoso. A pessoa cuja enfermidade resulta de um gene ausente ou defeituoso pode ser "infectada" com o material genético apropriado. Embora esses tratamentos ainda estejam na fase experimental, muito prometem. Mas há também a ameaça de abuso, quando pessoas são tentadas a usar a possibilidade não só para aliviar o sofrimento humano, mas também para produzir uma "qualidade superior" de seres humanos. Um exemplo comum é a demanda crescente de um fator de crescimento produzido por engenharia genética para fazer com que crianças cresçam mais altas. Quais são os limites morais da engenharia genética? Será que a crença na criação divina nos ajuda a responder tais questões?

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