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21 de fev de 2011

DO HOREBE AO SINAI

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Do Horebe ao Sinai
Eduardo Molina        

Um dos personagens mais expressivos da história do Antigo Testamento foi Moisés. Grande estadista, legislador, historiador, libertador, poeta e profeta. Estadista por ter desempenhado um papel de grande líder político; legislador por ter sido o responsável em estabelecer as leis ao povo hebreu; historiador por ter registrado a história do povo hebreu; libertador por ser o responsável pela libertação do povo hebreu quando eram escravos no Egito; poeta por ter composto salmo e cânticos de adoração a Deus; e profeta, por ter sido a voz de Deus para o Seu povo. Entretanto, Moisés teve de passar por um duro período de treinamento em sua vida a fim de tornar-se um grande homem. Antes de chegar ao Monte Sinai, Moisés precisou ser cuidado, moldado, para amadurecer ele precisou passar pelo Horebe.

Por intervenção divina, Moisés foi adotado como filho da filha de Faraó, onde foi criado na corte egípcia, conhecendo toda a cultura e costumes. Permaneceu no reino até sua tentativa frustrada de ajudar seu povo, quando matou um egípcio e foi obrigado a fugir para evitar o rigor das leis egípcias e a fúria de Faraó. Fugiu para o deserto de Midiã, na península do Sinai. Lá, Moisés viveu 40 anos, sossegadamente, como pastor de ovelhas.

Os anos em Midiã terminaram com uma experiência notável no Monte Horebe. Deus lhe falou do meio de uma sarça ardente, identificando-se como o Deus de Abraão, Isaque e Jacó. Declarou-lhe que ouvira o clamor do seu povo no cativeiro e havia escolhido Moisés para libertá-los, garantindo-lhe que Ele mesmo seria o guia desse grande empreendimento (Êxodo 3). Deus estava Se revelando para ele, revelando toda Sua santidade, Sua misericórdia, Seu poder, Seu nome, Seus propósitos e Sua forma de agir.

Ao deparar-se com esse chamado, Moisés reage, talvez, como todo homem reagiria: com medo. Medo de ter que voltar para o Egito e deparar-se com seu passado criminoso, pois cometera um assassinato e era fugitivo. Medo de ter de confrontar-se com o Faraó egípcio, o homem mais poderoso da face da terra. Medo de ter que encarar seu próprio povo. Medo de falhar. Ele entrou em uma profunda crise, e esta crise exigiria que ele se posicionasse e agisse. Nesse momento, a visão de Moisés era limitada, pois ainda não havia tido nenhuma experiência com Deus, não conhecia o Deus que o chamava. Contudo, este Deus estava buscando um relacionamento contínuo de amor com Moisés.

Moisés expressa toda essa crise de fé quando argumenta não ser a pessoa certa para desempenhar esse papel, porém Deus contra-argumentou todas as suas falas, porque o tinha escolhido. E, assim como Deus não desistiu de Moisés, Ele não desiste de nós. Guardem isso em suas mentes e corações: "Deus não desiste de nós". Às vezes me pergunto o porquê Ele me ama, o porquê Ele me quer na sua obra, porque Ele me chama de filho, sendo eu um homem imperfeito, fraco, dúbio e temeroso. Então, me lembro do sacrifício de Jesus, a maior prova do amor de Deus e o principal motivo pelo qual Ele não desiste de mim.

O caminho de Moisés não era dos mais fáceis. Ele teria de retornar ao Egito, fazer uma volta ao seu passado e confrontá-lo, mudar a direção de sua vida para ajustá-la de acordo com a vontade de Deus. E é neste momento que muitos de nós desistimos. Não é fácil ter que retornar para o nosso Egito seja ele qual for e resolver problemas pendentes ou culpas que nos massacram e não nos deixam viver. Esses fantasmas que nos assolam e precisam ser enfrentados, por vezes são os maiores desafios que iremos ter para nos ajustarmos à soberana vontade do Pai. E é nesse retorno ao passado que começamos a ter experiências com Deus. Quando Moisés, enfim, dá esse passo de fé, ele consegue chegar a ponto de crer totalmente que Deus realmente poderia fazer tudo o que estava dizendo que faria. E essa fé é descrita no livro de Hebreus como um dos maiores exemplos de auto-sacrifício e confiança no Deus Todo-Poderoso (Hebreus 11:23-29).

Moisés deixou para trás seus parentes, seu ofício de pastor de ovelhas, e voltou para o Egito para ajustar-se à vontade de Deus e, quando isto aconteceu, ele se colocou numa posição em que poderia obedecer a Deus. E nesse ponto precisamos ter cuidado! Isto não significava que ele iria fazer algo por sua própria conta, pelo contrário, ele estava afirmando que só iria fazer o que Deus o mandasse fazer, que só iria agir quando Deus o mandasse agir, que estava se colocando no centro da vontade de Deus. Pondo-se a disposição de Deus e, quando nos colocamos a disposição de Deus, Ele age em nossas vidas e realiza aquilo que Ele quer. Essa obediência de Moisés (e, posteriormente do povo de Israel) o levou a conhecer a Deus verdadeiramente (Êxodo 6:1-8).

Além deste exemplo de Moisés, podemos citar Elias (Tiago 5:17-18), Pedro e João (Atos 4:13). Todos os homens comuns, porém moldáveis, que se colocaram à disposição de Deus, foram usados poderosamente, porque os padrões de excelência de Deus são totalmente diferentes dos padrões humanos. Tudo bem, você pode me dizer: "eu não sou Elias, não sou Pedro, não sou João”. E eu concordo. Você não é e nunca será como eles, porque Deus não quer que você seja como eles. Deus quer que você seja simplesmente você mesmo e que O permita fazer em sua vida o que Ele quiser fazer, como quiser, quando quiser. Quando você pensa que Deus não pode fazer nada de importante em sua vida e através dela, você revela sua natureza humana e limita a ação de Deus, pois na verdade, Deus pode fazer o que Ele quiser com uma pessoa simples, comum, mas que se deixe usar por Ele.

Moisés não permitiu que os homens avaliassem a sua vida e conduta, antes, ele permitiu que Deus o avaliasse e o comissionasse para o trabalho de acordo com a sua vocação. Se olharmos para nossas vidas com o mesmo padrão que os homens olham, jamais estaremos à disposição do Reino. Essa é uma das razões pelas quais Igrejas não crescem e cristãos não amadurecem espiritualmente. Eles têm uma visão voltada para o que lhes é concreto, aquilo que os olhos conseguem ver. Muitas vezes, acabam sufocando aqueles que querem ter um verdadeiro relacionamento com Deus, com frases como: "eu já passei por isso", "não se preocupe tanto com os outros", "você não tem mais jeito", etc. Se Moisés pensasse assim, talvez não tivesse seguido em frente. Quando você se consagrar, santificar e buscar agradar a Deus, possivelmente tornar-se-á insignificante aos olhos humanos. O importante nisso tudo é ter a certeza que estamos no lugar que Deus escolheu para nós. Por isso, se você se acha pequeno, limitado, comum, tenha certeza que você é o que Deus está procurando.

Em nossas vidas não somos muito diferentes de Moisés. Todos nós fomos chamados para algo. Quando aceitamos Jesus, já recebemos, além da salvação e do Espírito Santo, a ordem de "sermos testemunhas", o importante é que não esqueçamos que todos temos o chamado para "sermos testemunhas". Moisés tentou fugir, nós também tentamos. Moisés inventou desculpas, nós também inventamos. Mas chegou um momento em que Moisés não teve outros argumentos a não ser obedecer à voz do Senhor, e nós temos que fazer o mesmo. Moisés viveu 40 anos de sua vida no Egito e outros 40 anos em Midiã, ou seja, foram 80 anos de preparação para cumprir o que o Senhor lhe tinha designado. Antes de chegar ao Monte Sinai e ter um relacionamento íntimo e profundo com Deus, Moisés precisou ser levado para o Monte Horebe a fim de ser moldado, ajustado, preparado.

Esperamos que o nosso preparo não leve 80 anos. Temos que nos tornar servos moldáveis antes de partirmos para cumprir o que Deus tem designado para nós. Se não conseguirmos nos ajustar, iremos passar 80 anos pensando que estamos fazendo algo e, no final, vamos ver que não fizemos nada e já seremos muito velhos para querer mudar a história. Parafraseando o grande pregador Dwight L. Moody: "Moisés gastou 40 anos pensando que era alguém, 40 anos aprendendo que não era ninguém e 40 anos descobrindo o que Deus pode fazer com um ninguém que se coloque à Sua inteira disposição".

Não se esqueça Deus não desistiu de usar Moisés e não desiste de nos usar, mas, para que isso ocorra, precisamos reconhecer que não somos ninguém e estarmos totalmente à disposição do Senhor.

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